GUIA DE CARREIRAS: BIOMEDICINA

Curso combina as áreas de biologia humana e a medicina. Profissional pode atuar fazendo exames em laboratórios ou com pesquisa.

Ana Carolina Moreno Do G1, em São Paulo

Claudia Alves é formada em biomedicina, filha de um professor de medicina, Claudia Alves, de 30 anos, sempre teve contato próximo com a profissão e interesse pela pesquisa. Porém, na hora de se inscrever para o vestibular, ela optou pela biomedicina, porque a carreira era mais propícia para o que ela pretendia fazer depois de formada. "Eu gostava da área de medicina, mas não tinha interesse em fazer um curso tão comprido e longo, e já pensava em alguma coisa em pesquisa. Achei a biomecidina interessante para o meu perfil", afirmou.
Embora tenham nomes parecidos, compartilhem da área de ciências biológicas e, muitas vezes, trabalhem lado a lado, medicina e biomedicina são carreiras com diferenças fundamentais.

Ambas investigam os agentes causadores de doenças humana e desenvolvem medidas de prevenção e tratamento dessas enfermidades. Porém, apenas a medicina inclui, na formação do profissional, o contato direto com as pessoas e a responsabilização pelo tratamento dos pacientes.

A duração do curso superior também varia entre as duas profissões: na medicina, são seis anos, sem contar a residência médica, que pode durar entre três e cinco anos. Os estudantes de biomedicina têm quatro anos de graduação em período integral, ou cinco anos, caso estudem no período noturno.

Análises clínicas
O principal mercado de trabalho dos biomédicos atualmente, segundo Claudia, está nos hospitais, clínicas e laboratórios. O profissional é capacitado para coletar, processar e emitir o laudo de exames e análises clínicas.
Ela afirma que muitos biomédicos começam a trabalhar neste campo para adquirir experiência e, quando tiverem oportunidade, abrir o próprio laboratório de exames.

"A gente tem a formação voltada mais para exames laboratoriais, análises clínicas, assuntos basicamente relacionados com a coleta de sangue e material para a realização dos exames", explicou Claudia, que se formou em 2006 no Centro Universitário Barão de Mauá.

No currículo do curso oferecido pela Universidade de São Paulo no campus de Ribeirão Preto, que foi reestruturado em 2011, as disciplinas incluem conteúdos de formação básica e específica nas áreas de meio ambiente, saúde e biotecnologia. Os estudantes iniciam a graduação com aulas de bioquímica, genética humana, biologia celular, anatomia humana, bioética e morfologia.

Os ciclos seguintes incluem aulas específicas sobre o corpo humano e doenças, como imunologia, parasitologia e farmacologia. Os alunos ainda precisam cursar disciplinas de cálculo, informática e bioestatística, além de fazer estágio em nove laboratórios, como o de biologia celular e molecular.

Academia
Foi neste departamento que Claudia conseguiu um estágio na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão, onde mora. Segundo a biomédica, foi lá que ela acabou desenhando seu plano de seguir estudando na pós-graduação. Ela concluiu seu mestrado na instituição em 2009, e, atualmente, prepara sua tese de doutorado.

"Eu trabalhava no Departamento de Biologia Celular e Molecular da faculdade, acompanhava as técnicas no laboratório, aprendia a fazer cultura celular e começava a pensar em um projeto para seguir na pós-graduação."

Claudia afirma que vê um aumento da procura pela pesquisa científica, e diz que, além da pós-graduação, as faculdades de medicina, biologia e farmácia são algumas das que absorvem os profissionais da biomedicina em seu quadro de técnicos.

O profissional de biomedicina pode atuar com pesquisa e em clínicas, fazendo exames (Foto: Reprodução)

Investimento em pesquisa
Embora as bolsas de estudo de pós-graduação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) --principal fonte de financiamento dos profissionais que resolvem se dedicar à carreira acadêmica-- tenham tido reajuste de cerca de 10% neste ano, os valores ainda são considerados baixos pelos pesquisadores.

A partir de meados deste ano, estudantes de mestrado recebem bolsa de R$ 1.350, e os de doutorado, de R$ 2.000. Já a bolsa do pós-doutorado é de R$ 3.300. Acadêmicos afirmam que a defasagem das bolsas, que não eram reajustadas havia quatro anos, só será suprida com um aumento de 40%.
Claudia atualmente é bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que oferece valores entre R$ 1.545,30 e R$ 2.819,10 para mestrado e doutorado.

Ela também está entre o grupo de brasileiros que recebeu, em 2012, uma bolsa de estudos da Comissão Fullbright, instituição de fomento à educação ligada ao governo americano. Ela embarca em agosto para a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, onde fará um estágio de nove meses como parte de sua pesquisa de doutorado.

A biomédica afirma que sua linha de pesquisa, no laboratório de mastócitos da Faculdade de Medicina, envolve uma proteína que participa do tráfego intracelular. "Em Harvard vou aprender outras técnicas que não existem aqui e vou ter a possibilidade de trazê-las para o Brasil."

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