Fisioterapia: Games Agregam Lazer à Reabilitação de Pacientes

Universidades da região desenvolvem pesquisas e cursos de pós-graduação com emprego dos jogos.

Marcelo Pedroso
Editor de Cidades

Nem só de lazer vivem os games, cujos atributos agora são valorizados por médicos, fisioterapeutas, educadores e profissionais das mais diversas áreas de atuação. 

Na RMVale, por exemplo, os games ganharam espaço privilegiado no desenvolvimento de pesquisas e cursos de pós-graduação multidisciplinares.
É o caso da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José dos Campos, que já conta com três linhas de pesquisa destinadas a promover melhorias na reabilitação de pacientes com o auxílio dos games. “Trabalhamos com reabilitação e inserção social. Conciliamos a fisioterapia com as engenharias eletrônica e de computação”, disse o professor Mário Oliveira Lima, coordenador do curso de fisioterapia da Univap.

Em um dos projetos, pacientes que tiveram câncer de mama e passaram por cirurgia apresentam melhora na força muscular e amplitude dos movimentos ao jogar um game com os mesmos protocolos de um tratamento convencional. 
“As pacientes fazem os exercícios e nem sentem. Conseguimos reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida”, disse a professora Izabela dos Santos Neves, idealizadora do projeto.
Para a fisioterapeuta Ana Carolina Borges, a diversão e a concentração proporcionadas pelos jogos são diferenciais para que o paciente faça o exercício com melhor qualidade. Ela trabalha com vítimas de AVE (Acidente Vascular Encefálico), que participam de dois games. Um deles é o jogo do vazamento, no X-Box. “ Eles se empolgam para fazer a fisioterapia, sentem-se motivados.”
O outro jogo mede o tempo de resposta a estímulos por meio de uma caixa de leds.

Um aplicativo desenvolvido para o Iphone e destinado a pacientes com problemas pulmonares também faz a diferença na Univap. Segundo a professora Alessandra de Almeida Fagundes, por meio do aplicativo, quando o paciente respira um módulo visual simula na tela a elevação de bolinhas. Quanto mais o paciente respira, mais as bolinhas se elevam. 

Unitau. Já em Taubaté, foram abertas este mês as inscrições para um curso de pós-graduação com 30 vagas cujo objetivo é formar profissionais que possam utilizar os games para melhorias em diversas áreas.
“É um curso diferenciado, que se preocupa com o cunho social, com aprendizado, na área educacional, empresarial ou cultural. Desde o processo de criação, produção e pós-jogo”, disse o diretor do Departamento de Informática da Unitau (Universidade de Taubaté), Luis Fernando de Almeida.

O curso envolve uma parceria com a rede internacional “Games for Change” e o grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da USP. 

“Você pode ter o jogo para unir áreas diversas. Em 2012, nossos alunos de graduação desenvolveram um jogo de conscientização ambiental que ajudou a melhorar o aprendizado em 70%.” 

Pacientes aprovam tratamento
Pacientes aprovaram a rotina dos novos tratamentos na Univap . “Você quer focalizar o ponto, então presta atenção e esquece da dor”, disse a aposentada Leila Tenório de Oliveira, que integra o grupo do câncer de mama. Já Dorotéa Machado de Almeida, 60 anos, está animada com o X-box. “Está ajudando até meu corpo ficar mais firme.”

Jogos devem gerar US$ 82 bi em 2015
Segundo a PricewaterhouseCoopers, o mercado mundial de jogos digitais movimentou US$57 bilhões em 2010, enquanto o de cinema, US$ 31,8 bilhões. Em 2011 o setor movimentou US$ 74 bilhões e as previsões indicam que deverá ultrapassar US$82 bilhões em 2015. No Brasil, estima-se que o mercado já esteja perto de US$3 bilhões.

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