Segundo especialista, pressão dos pais pode virar pesadelo dos filhos

O anseio de ver sua descendência alcançar o sucesso é o sonho de qualquer pai. A cada desafio oferecido, obstáculos a serem superados, eles querem participar de cada momento e ainda dar aquela "mãozinha" para que o filho possa no futuro encarar tudo isso com excelência.

É claro que os medos e anseios dos filhos esperam-se que sejam saciados pelos pais, como por exemplo o medo do primeiro dia de aula, a primeira nota vermelha na prova ou até o tão "temido" vestibular. Mas o que fazer quando todas essas angústias são geradas pelos próprios pais em busca de resultados?

Em busca de aprovações, muitos se tornam assessores, outros técnicos ou até 'personal training estudantil' para que os filhos alcancem os objetivos traçados, muitas vezes por aquele jovem pai.

"Sabemos que o formato de seleção brasileiro já condiciona o estudante a um nível absurdo de estresse e conteúdos dos quais o estudante sequer compreende uma contextualização com a vida ou utilizará em sua história. Muitas vezes, a isso soma-se a pressão familiar para que o jovem dê continuidade como uma espécie de cadeia hereditária da família, por exemplo o avô foi médico, o pai é médico, os tios são médicos, o primo estuda medicina e o jovem deve dar segmento ao 'clã'", ressalta o professor Vitor Loureiro, coordenador pedagógico dos Colégios Univap (Universidade do Vale do Paraíba) - Unidade Aquarius.

"Isso gera frustrações mútuas, pois são inúmeros os casos nos quais os adolescentes não se identificam com as carreiras familiares e de forma quase instintiva os pais, avós, tios, ou seja, a família age menosprezando a área que o jovem demonstra maior aptidão ou desejo, e daí por vezes vemos os extremos acontecerem rompimentos nas relações e o jovem seguindo seu desejo ou a submissão à pressão familiar e profissionais altamente frustrados em suas carreiras", disse.

O especialista lembra que vivemos uma era na qual é necessário as famílias entenderem que nossos jovens compreendem o mundo sob um olhar abrangente, hoje o adolescente possui todo e qualquer tipo de informação em apenas um clique, são nativos da internet, das redes e mídias sociais, sua linguagem e por assim dizer, cosmovisão - visão da vida e do mundo - é diferente da geração anterior, por isso, suas buscas profissionais, por vezes, não correspondem com as dos pais e familiares.

Sendo assim, é importante não transferirmos aos nossos filhos os nossos sonhos, ou os nossos desejos e anseios, temos que assumir o papel daqueles que orientam, mas não daqueles que decidem, a decisão será deles. Essa geração não é incauta à ponto de não saber as consequências de uma escolha.

De acordo com Loureiro, ao se deparar com situações na qual o sonho do aluno era totalmente diferente da família, não foi fácil auxiliar o jovem a convencê-los de que era um direito assumir sua escolha profissional e, hoje essa pessoa é um profissional altamente capacitado e realizado.

Relação construída na mutualidade ajuda na confiança do aluno, afirma especialista

O professor Vitor Loureiro, coordenador pedagógico do Ensino Médio dos Colégios Univap, em São José dos Campos, lembra que, com o auge da internet e nossos anseios diante das angustias nossas e dos nossos filhos saímos em busca de 'gurus' virtuais como se fossem a luz no fim do túnel. "Mas, nunca dispenso uma coisa, a boa e velha relação construída na verdade e mutualidade, é importante existir clareza na família, ter espaço para falar e para escutar e, quando existir a dúvida no adolescente que a família não assuma o último ano do Ensino Médio como: 'e agora? Está acabando o Ensino Médio?' Pai, mãe, acalmem-se, nossos filhos têm iniciado a vida escolar cada vez mais cedo. Muitas vezes eles não estão prontos para esse momento", afirmou. Outro exemplo citado é quando no meio de um curso universitário eles decidirem por uma mudança. "Isso não é sinal de uma derrota, mas de uma alteração de rota. Pensem nisso: No nosso cotidiano lidamos com tantos profissionais frustrados, por que, talvez foram obrigados a assumirem um sonho que não era deles", afirmou.

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