196ª Edição - Ano VI
De 19 a 25 de agosto /2013
 

 
Depoimento de um Futuro Biólogo
Estágio no Pantanal


O aluno Gabriel Oliveira no Pantanal
 
O aluno Gabriel Oliveira, atualmente no 4º período semestral (2º ano) do curso de Ciências Biológicas da Faculdade de Educação e Artes (FEA), teve a rara oportunidade de, no primeiro ano do Ensino Superior, conseguir um estágio na Embrapa-Pantanal, sob a supervisão do Pesquisador (Mestre) Walfrido Tomas.
Ele conta em depoimento ao Informativo Diálogo como isto foi possível e enriquecedor.

"Inciei meus estudos no Sistema FVE de Educação no Colégio Técnico Antônio Teixeira Fernandes, no Campus Centro, em 2009, onde concluí o Curso Técnico em Meio Ambiente. Graças a esse curso, no 3º ano, tive a oportunidade de iniciar o estágio no Borboletário no Centro de Estudos da Natureza (CEN) da Univap, no Campus Urbanova, com a Profª Drª Nádia Maria Campos Velho, permanecendo mais próximo do curso de Ciências Biológicas e da Área de Meio Ambiente. Neste estágio aprendi muito sobre todo o ciclo das borboletas e estudo com as lagartas; trabalhei com educação ambiental, juntamente com alguns outros estagiários e pesquisadores do CEN, apresentando as diversas atividades que ocorriam no Borboletário, Serpentário, Viveiro de Plantas Medicinais e no Museu Pedagógico da Universidade, para estudantes ou pessoas da comunidade que realizavam visitas monitoradas.
Em 2012, iniciei no curso de Ciências Biológicas na Faculdade de Educação e Artes (FEA) na Univap e continuei com o trabalho no Borboletário. Em outubro, tive conhecimento por intermédio de um grupo de pesquisadores de Mastozoologia Brasileira (pesquisadores que estudam animais mamíferos) sobre a oportunidade de estágio no laboratório de vida selvagem na Embrapa-Pantanal, com Walfrido Tomas. Procurei me informar melhor e saber da possibilidade de participar desse estágio. Consegui a entrevista e em novembro recebi a resposta que havia sido selecionado para ir para o Pantanal de Nhecolândia. Minha alegria foi imensa, afinal estava ainda terminando o 1º ano da Faculdade e conseguir um estágio na Embrapa-Pantanal foi, realmente, uma conquista muito grande.

Rafael Chiaravalloti, Gabriel Oliveira
e Walfrido Tomas
 
Gabriel com um Tamanduá Mirim
 
A Coruja Preta (Strix huhula) estudada
durante o estágio pantaneiro

Na Universidade obtive apoio de todos os professores, inclusive do Diretor da FEA, Prof. Dr. Milton Beltrame Júnior, que autorizou o preparo da documentação de vínculo entre a Universidade e a Embrapa-Pantanal. Dia 2 de janeiro viajei para Corumbá, Mato Grosso do Sul (MS), e fui conhecer a sede da Embrapa-Pantanal naquele município, e, no dia seguinte, fui para a Fazenda Nhumirim, também da Embrapa, localizada no Pantanal da Nhecolândia.
Iniciei meu estágio pantaneiro trabalhando com morcegos, colaborando no trabalho de Doutorado do estudante Maurício Silveira. Graças a este trabalho noturno, identifiquei uma rara espécie de Coruja Preta (Strix huhula). Sob a orientação do Pesquisador Walfrido Tomas, tive a autorização para então estudar essa ave. Estritamente florestal, a espécie tornou-se uma excelente indicadora de paisagem após alguns testes. Minha pesquisa especificamente realizava-se a partir das 6 horas da tarde e ia até três ou quatro horas da manhã. A pesquisa com certeza ajudará na conservação da espécie e será o meu Trabalho de Conclusão de Curso. A Biologia é minha vida e a cada dia que passa me percebo mais apaixonado pela área.
Durante sete meses, tempo em que estive no Pantanal, pude acompanhar o desenvolvimento de outra pesquisa: o início do trabalho de Doutorado de Rafael Chiaravalloti, que está avaliando as condições de vida da população ribeirinha. Esse acompanhamento foi uma das maiores experiências que eu tive durante esse estágio, pois vivenciei outra realidade que não conhecia. Tentava entender como aquelas pessoas conseguiam morar às margens dos rios do Pantanal, vivendo com seus filhos, totalmente isolados, no meio de Onça Pintada, Jacaré e Sucuri, sem meios de comunicação e de difícil acesso ao transporte. Retornei totalmente diferente de quando fui e com uma experiência enorme do estágio na Embrapa Pantanal. Acompanhei projetos, trabalhos de Doutorado e Mestrado, peguei experiência de campo que só me fizeram gostar mais ainda da minha futura profissão.
Só tenho a agradecer, primeiro aos docentes do curso de Ciências Biológicas (FEA) da Univap e, na Embrapa-Pantanal, ao Pesquisador Walfrido Tomas, Beto Pellegrin e ao Guellety Marcel. Walfrido, por ter acompanhado e me orientado durante todas as etapas do trabalho com as Corujas; ao Beto, por ter me ajudado no mapeamento da área de trabalho, e ao Guellety, na medida da vegetação".


 

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