78ª Edição - Ano II
De 22 a 28 de março/2010
 

  Filhos Tratados e Mães Saradas

 
 
 
A aluna Cássia Beatriz Sorbile Veiga Covre (ao centro da primeira foto), do 4º ano do curso de Terapia Ocupacional (TO), da Faculdade de Ciências da Saúde (FCS), está desenvolvendo o projeto “Filhos tratados e mães saradas” com as mães ou acompanhantes cuidadoras das crianças com necessidades especiais que estão em tratamento no Centro de Práticas Supervisionadas (CPS) da Univap, no Campus Urbanova.
O projeto, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IP&D) da Universidade, sob o nº H217/CEP2009, no final do ano passado, consiste em desenvolver atividades de integração por meio da multidisciplinaridade das diversas áreas do conhecimento.
Com apoio da direção da FCS, dos coordenadores e alunos dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Odontologia, Serviço Social, Terapia Ocupacional e da direção da Faculdade de Educação e Artes (FEA), por intermédio do curso de Educação Física, o projeto já está em pleno andamento.
Participam do projeto aproximadamente vinte e cinco mães/acompanhantes que trazem seus filhos para serem atendidos nas clínicas da Universidade. Para início das atividades, as mães/cuidadoras acompanhantes submeteram-se a uma bateria de testes, que envolveram a avaliação física, do estado de saúde e dos hábitos alimentares.
Os resultados obtidos nas atividades previstas no projeto de pesquisa comporão o trabalho de conclusão de curso (TCC) da aluna, requisito básico para obtenção do certificado de graduação na Faculdade.
De acordo com a aluna, Cássia, este trabalho surgiu a partir da observação da postura das mães e cuidadoras enquanto seus filhos eram atendidos nas clínicas da Univap. Em entrevista ao Informativo Diálogo, Cássia conta sobre o estímulo que obteve para desenvolver este projeto, que tem apresentado resultados significativos e de grande melhoria na qualidade de vida das pessoas envolvidas.

Este trabalho surgiu após eu observar os semblantes tristonhos das mães ou de cuidadoras acompanhantes de crianças com necessidades especiais, durante os atendimentos na Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da Univap. Durante todo o tempo que essas mães/acompanhantes ficavam à espera das crianças, permaneciam caladas, tímidas, deslocadas, ociosas e sem nenhuma interação entre elas.
Atenta a esses fatos, a vontade de acolhê-las e oferecer algum tipo de conforto que colocasse um sorriso mesmo tímido naqueles rostos tão sofridos tornava-me cada vez mais determinada e, assim, a decisão de ajudá-las foi mais forte, e o meu receio de amedrontá-las ainda mais, passou!
Eu sentia no fundo de meu coração que eu seria bem recebida, pois afinal, o coração de uma mãe sempre acolhe o outro.
Aprendi a esperar enquanto observava o que não era dito, apenas visto e sentido. A escolha de primeiro ouvi-las no silêncio tornava nosso contato mais próximo. Por intermédio de olhares duradouros e semblantes mais suavizados pela amizade silenciosa, tomei a iniciativa de me aproximar quando senti que a confiança estava mais forte, demonstração essa que se fazia ao passo que os sorrisos começavam a surgir ainda que tímidos.
Havia decidido esperar e aguardaria o tempo que fosse preciso, uma vez que o que havia sido dito até então, sem o uso das palavras, era alto, profundo, vivo e contido, por muito tempo.
As trocas de olhares mais demorados e de sorrisos mais confiantes foram os sinais que precisava para me sentir segura e pronta para ouvi-las. Eram códigos de aproximação. Agora sim, eu estava sendo aceita por elas.
As conversas agora eram ditas em voz alta. Ainda muito doloridas pelas feridas abertas, mas à medida que elas eram expostas, o sentimento de estarem sendo acolhidas amenizava a dor.
Assim a amizade ia se fortalecendo e tornando tudo mais fácil. Aos poucos fui sendo chamada de Cassinha e isso já me tornava uma amiga. Quanto privilégio o meu!
Por diversas vezes pude perceber que através das muitas lágrimas de culpa, rejeição e remorso, estas mães iam sendo absolvidas de uma condenação imposta por elas próprias.
Assim nasceu o projeto: Filhos Tratados e Mães Saradas, sonhado talvez por algumas mães que tiveram a oportunidade de falar e idealizado por alguém que estava disposta a ouvir.
Meu desejo e meta como futura Terapeuta Ocupacional é conseguir mostrar que quando se decide encarar a missão de ser uma profissional facilitadora na criação de parcerias, essa atuação faz com que os objetivos sejam alcançados, como espero que seja o caso destas mães que conseguirão experimentar outras formas de se relacionarem.
Ao vivenciarem novas situações, elas poderão fazer com que suas vidas sejam transformadas adquirindo melhoria na sua qualidade de vida, na de seus familiares e principalmente, dos filhos, tornando-se mulheres renovadas e mães saradas.


Depoimentos de algumas mães e a impressão que têm do projeto:

Este projeto é muito bom porque nós as mães antes ficávamos aqui sem fazer nada. Há seis anos, duas vezes por semana, venho com meu filho à Univap e este projeto é a realização de um antigo sonho. Eu via a academia aqui ao lado da clínica, hoje eles transferiram o curso de Educação Física para outro prédio, e pensava na possibilidade de usá-la enquanto esperava meu filho passar pelo atendimento.
Tentamos já há alguns anos essa parceria, mas nunca deu certo. Mas o ano passado, em uma reunião com a equipe da Terapia Ocupacional, eles entenderam a nossa situação e acabaram por acatar a nossa sugestão.
Hoje, nós também temos assistência. Recebemos dos profissionais da Univap orientações no relaxamento físico, na alimentação adequada, no tratamento de dentes.
A respeito do atendimento ao meu filho, só tenho elogios a fazer, porque primeiro ele adora vir pra cá e a equipe é ótima. Ele tem atendimento na Fisioterapia, está no programa de inclusão digital oferecida na Terapia Ocupacional e aguarda vaga para começar a frequentar a hidroginástica.

Cleusa Maria Jesus da Silva, 36 anos, mãe do paciente, Denis da Silva, 19 anos.


Gostei muito da idéia do projeto e só não comecei a participar das atividades porque meu filho vai passar por uma cirurgia na perna e eu estou providenciando exames e outras coisas necessárias. Mas a idéia é muito boa e vai colaborar demais com o nosso bem-estar. Estou ansiosa para essa fase passar e poder começar a me cuidar também.

Cícera Farias de Alencar, 31, mãe de Cícero Gabriel Farias S. da Assunção, 9 anos
 
 

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