De 15 a 21 de Dezembro / 2008
 
 

  Estudante da Univap é vencedora do 3º Prêmio Banco Real Jovem Jornalista
Semana Estado de Jornalismo


 
 
Foto: J.F. Diorio

A aluna Flora Morena, do 8º período (4º ano) do curso de Jornalismo da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Comunicação da Univap, foi a vencedora do 3º Prêmio Banco Real Jovem Jornalista e recebeu, dia 8 de dezembro, uma bolsa de estudos oferecida pela Universidade de Navarra, Espanha.
A aluna já havia sido premiada com um Laptop, por ter vencido a terceira etapa da Semana Estado de Jornalismo, promovido pelo jornal O Estado de São Paulo.
Flora também teve a sua matéria publicada no Estadão, quarta-feira, 29 de outubro de 2008 (abaixo, texto na íntegra), sob o tema: Sustentabilidade Empresarial – Saneamento.
A entrega do prêmio foi realizada na sede do Banco Real, em São Paulo, com a presença de Fernando Martins - diretor executivo de Estratégia da Marca e
 
 
Comunicação Corporativa do Banco Real; de Ricardo Gandour - diretor de Conteúdo do Grupo Estado; do coordenador do programa, jornalista Francisco Ornellas; e do professor Carlos Alberto Di Franco, representante da Universidade de Navarra no Brasil.


Ubatuba usa alternativa para saneamento básico

Flora Morena

Marcelo Bueno, de 45 anos, era um arquiteto realizado. Dez anos atrás, porém, ele resolveu mudar de vida. Saiu de Ribeirão Preto, no interior paulista, e foi parar em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo. “Eu estava insatisfeito com a forma em que vivia”, explica. Ele fundou o Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (Ipema).
Jorge da Cruz Oliveira, de 55 anos, mais conhecido como Seu Jorge, já foi morador de rua, militante e assistente social. Há 15 anos ele resolveu dar uma virada: deixou Ipiaú, no Sul da Bahia, e mudou-se para Ubatuba, onde liderou a formação de uma comunidade que hoje vive em gestão democrática e absolutamente sustentável. São 150 pessoas que moram juntas, dividem as atividades e vivem em harmonia.
O que esses dois grupos têm em comum? Tanto o Ipema quanto a comunidade do Seu Jorge aplicam o sistema de Zona de Raízes como prática de saneamento básico. “A água que nós temos aqui é mais limpa do que a água que a Sabesp fornece à cidade. Nós temos 99,8% de purificação, e purificação natural”, afirma Seu Jorge, com entusiasmo.
O Sistema de Zona de Raízes utiliza plantas para o tratamento de águas residuais; a degradação das substâncias poluidoras contidas na água ocorre por meio da cooperação entre plantas, solo, e microrganismos. A função principal das plantas consiste em fornecer oxigênio ao solo através de suas raízes e possibilitar o desenvolvimento de uma população densa de microrganismos, que serão responsáveis pela remoção dos poluentes da água. Toda a água tratada pelo sistema pode ser integralmente reciclada.
Marcelo foi convidado para instalar um galpão de reciclagem de lixo na comunidade de Seu Jorge. “Fui fazer o meu trabalho, mas não tinha idéia de que iria encontrar uma comunidade inteira que partilhava dos mesmos ideais que nós trabalhamos no Instituto.” Seu Jorge trouxe da Bahia o sistema de Zona de Raízes. Ele explica: “Em Ipiaú, onde não havia condições financeiras para a instalação de uma rede de esgoto, começamos a buscar outras opções para cuidar do saneamento da cidade e percebemos que a utilização de plantas de aguapés ajudava na purificação do solo e da água.”
Hoje, o Ipema oferece cursos de saneamento alternativo à comunidade e a outras organizações interessadas. “A procura ainda é pequena. Falta informação para que as pessoas entendam e acreditem que tratamentos alternativos são eficazes e possíveis”, conta Marcelo.
Do litoral para a cidade de São Paulo: o arquiteto João Paulo Dias conta que, atualmente, há uma boa parcela de casas e edificações que vêm sendo planejadas para abrigar uma estrutura, se não sustentável, pelo menos ecologicamente correta: “Há uma tendência muito forte na procura de alternativas sustentáveis para a arquitetura e construção. O sistema de raízes é uma opção que tem sido bem aceita, pois além de tratar da purificação da água e esgoto, ainda pode ser aliada ao que chamamos de paisagismo ecologicamente correto.”
Em São Paulo, no litoral ou em qualquer lugar, é preciso destacar a importância do saneamento, que aumenta a produtividade, reduz pressões de custos e, por fim, melhora a qualidade de vida, resgatando as populações excluídas do processo de desenvolvimento. “Se olharmos para a natureza com mais atenção, veremos que ela nos oferece as melhores alternativas para cuidarmos do nosso planeta”, comenta Seu Jorge.

 
 

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