História da Univap

  • O primeiro curso superior da UNIVAP, em São José dos Campos, foi a Faculdade de Direito em 1952. Criada pelos esforços dos mestres Everardo de Miranda Passos e Domingos de Macedo Custódio, a Faculdade tinha como objetivo oferecer novas opções de estudo à população local, pois o curso superior do ITA, recentemente inaugurado, era um dos mais concorridos do país e poucos joseenses conseguiam ingressar, pois a cidade ainda não dispunha sequer de um colégio com ensino médio. A maior dificuldade de ambos foi conseguir docentes à altura da faculdade que se pretendia criar – além de necessitarem de uma boa impressão, quanto melhor fossem os docentes, mais fácil seria a aprovação por parte do Ministério da Educação. Dr. Luiz Azevedo de Castro, amigo de Passos e Custódio, teve como missão recrutar os novos professores por meio de sua persuasão e eloquência, pois estes, que não eram residentes de São José dos Campos, precisariam dirigir a noite pela Via Dutra todos os dias. Ele conseguiu o compromisso de quase trinta professores bem conceituados.

    Por meio da Sociedade Civil Mantenedora da Escola Técnica de Comércio, os fundadores conseguiram uma verba de um milhão de cruzeiros, que seria destinada a ajudar na criação, instalação e manutenção da Faculdade de Direito. No dia 2 de Janeiro de 1954, o Presidente da República, então Getúlio Vargas, assinou o decreto que legalizava a criação do curso. Três dias depois abriram as inscrições para o vestibular, e 17 dias depois, quando foram encerradas as inscrições, eram mais de cem pessoas para quarenta e oito vagas. O vestibular seria feito em duas etapas, sendo uma de provas escritas e outra de exames orais, como era costume na época. Sessenta e sete candidatos foram aprovados, ultrapassando o número de vagas iniciais. Essa turma se formaria em 1958 e teria o maior índice de aprovação em concursos públicos da Magistratura de São Paulo: em segundo lugar vinha a PUC/SP, com 24% de aprovados, e em primeiro a Faculdade de Direito do Vale do Paraíba, com impressionantes 33,33% aprovados. 

    Em agosto de 1954 ano foi eleito o primeiro Presidente da Diretoria: Jamil Mattar de Oliveira, um dos que mais defendeu a criação da Faculdade. Enquanto os anos se passavam, mais a Faculdade ficava reconhecida e mais alunos se inscreviam, fazendo com que fosse necessário uma mudança do espaço cedido pela Sociedade Civil, que não mais comportava a quantidade de alunos. Na década de 1950, novas indústrias e novas faculdades se estabeleciam na cidade, aumentando ainda mais o número populacional. A Direção da Faculdade conseguiu que as salas de aula e o ginásio da escola “João Cursino” fossem concedidas para uso noturno. Mas logo o espaço também se tornou pequeno, e passou-se a considerar a construção de um prédio para a Faculdade. 

    No final de 1955, Dr. Cândido Dias Castejon foi eleito como novo Diretor. Ele seria reeleito mais duas vezes. Em Janeiro de 1956, foi lançada a primeira pedra do edifício que seria a Faculdade de Direito, localizada na antiga praça Almirante Barroso, atual Praça Cândido Dias Castejon, nomeada após o falecimento do diretor. O prédio foi inaugurado em 1961.

    Em 1959, foi fundado o Instituto Valeparaibano de Ensino – IVE – que tinha como objetivo criar novos cursos superiores e estabelecimentos de ensino em todos os graus (de fato, seis anos depois foi criado o CTI – Colégio Técnico Industrial; e dez anos depois foram criados os cursos superiores de Patologia Clínica e Magistério). Assim, a Sociedade Civil Mantenedora deixou de ser responsável pela Faculdade de Direito, entrando em seu lugar a IVE. Dois anos depois seria criada a Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas do Vale do Paraíba. Quatro anos depois, o IVE achou por bem mudar o nome para FVE – Fundação Valeparaibana de Ensino. Apesar das variadas adaptações e transformações ocorridas no Estatuto da FVE, ela sempre teve o caráter de entidade jurídica de direito privado, comunitária e sem finalidade lucrativa.

    Em 1967, o então prefeito de São José dos Campos, Elmano Ferreira Veloso, declarou a Fundação uma “entidade de utilidade pública”, título que valeu uma série de prerrogativas e isenções de impostos municipais. No mesmo ano, seria inaugurada a Faculdade de Engenharia. Em 1968, o Prefeito doou um terreno situado à Rua Paraibuna, ao lado da Faculdade de Direito. No ano seguinte foi criada a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Em 1973, era criada a Faculdade de Serviço Social.

    Em meados da década de 1970 a FVE passou por muitas crises financeiras. Em 1977, o vereador Carlos Alberto Bastos, líder do MDB, apresentou ao presidente da Câmara Municipal um pedido para instaurar uma sindicância ou inquérito para apurar as irregularidades na FVE. O pedido foi feito junto de dezesseis itens que condenavam a administração vigente. Terminada a intervenção jurídica, em fins de 1977, o Presidente da Instituição, declarou que separaria as entidades educacionais da FVE em duas áreas: a de tecnológica, administrativa e econômica e a de ciências humanas.

    No final de 1978, um novo Presidente assumiu a FVE, realizando mudanças estruturais e logo recebendo do prefeito uma soma de um milhão de cruzeiros para saldar os compromissos mais urgentes e fazer as modificações necessárias. 

    Em 1981, foi feita a outorga de um terreno de 500 mil metros pelo Empreendimento Urbanova à Prefeitura e destinada à instalação da Universidade em São José dos Campos. Em 1982, foi autorizada a integração da Faculdade de Ciências Humanas em São José dos Campos com os cursos de Ciências Sociais, História (que contava com 122 alunos em 1983), Letras (que contava com 261 alunos em 1983) e Pedagogia (que contava com 364 alunos em 1983), e da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de São José dos Campos, com os cursos de Direito (que contava, no ano seguinte, com 704 alunos) Ciências Econômicas (que contava com 578 alunos em 1983) e Serviço Social (que contava com 144 alunos em 1983); da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia, com os cursos de Engenharia (340 alunos em 1983), Engenharia Civil (142 alunos em 1983) , Engenharia Elétrica e Arquitetura e Urbanismo. 

    Em 1983, a FVE contava com 37 professores em tempo integral, 147 parciais e 150 servidores como “pessoal de apoio”. No mesmo ano, seria lançada a pedra fundamental da construção da Universidade no Campus Urbanova. O projeto fora desenvolvido totalmente pelos alunos da Engenharia Civil da própria FVE.

    Em 1986, ano de implementação do plano cruzado, ocorreu um importante acontecimento para a FVE rumo à concretização da Universidade de São José dos Campos, que foi a criação de dois projetos. Um instituindo o curso de Geografia e o outro projeto com a própria criação da Universidade, que mais tarde tornou-se Universidade do Vale do Paraíba. 

    No ano de 1987, enquanto aguardava a efetivação da Universidade, a FVE criou uma ofensiva na tentativa de atrair mais alunos e alunas à instituição. O número de vestibulandos passou de 2250 em 1986 para 3500 em 1987 e o número de alunos matriculados saltou de 4600 para 5170. E, consequentemente, a UNIVAP aumentou seu quadro docente de 248 professores de tempo parcial para 263 e de 21 professores de tempo integral para 23.

    Em 1989 o Conselho Federal de Educação aprovou que as Faculdades Integradas de São José dos Campos se transformaram em Universidade, e a FVE mudou para UNIVAP - Universidade do Vale do Paraíba. Em 1992, no dia 9 de abril, o Conselho Deliberativo da Fundação Valeparaibana de Ensino elegeu, por um mandato de quatro anos, o reitor e o vice-reitor da UNIVAP. A posse de ambos aconteceu no dia 8 de maio de 1992. 

    Já em funcionamento como universidade desde abril de 1992, a cerimônia oficial de instalação da UNIVAP, juntamente com a posse do primeiro reitor, aconteceu no dia 1º de Julho de 1992, no Teatro Municipal de São José dos Campos.

    Logo no primeiro ano de funcionamento da UNIVAP, em 1993 a universidade já contava com 221 professores, sendo 40 doutores, 61 mestres, 92 especialistas e 28 graduados. Em 1994, no seu terceiro ano de funcionamento, a UNIVAP contava com 8 mil alunos entre todos os matriculados nos 28 cursos. 

    O ano de 1995 foi o ano que marcou o início do funcionamento do campus Urbanova da UNIVAP. Além disso, a universidade apresentou um total de 9741 alunos matriculados. Em relação às habilitações oferecidas pela UNIVAP em 1995, no Instituto de Ciências Humanas, funcionaram os seguintes cursos: Ciências Sociais, Comunicação Social, Geografia, História, Letras e Pedagogia; no Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, os cursos de Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Direito, Secretariado Executivo e Serviço Social; no Instituto de Ciências Exatas, os cursos de Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Física e Matemática; e no Instituto de Ciências Biológicas, os cursos de Ciências Biológicas, Educação Física e Odontologia.

    No ano de 2002 a UNIVAP já contava com seis institutos, inclusive um de Pesquisa e Desenvolvimento, bem como cerca de 27 cursos de graduação em 7 faculdades.

    Atualmente, a maior infraestrutura da UNIVAP se concentra no Campus Urbanova, onde desde 2013 ficam os cursos universitários. No campus, se destacam o IP&D (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento), onde existem 44 laboratórios de última geração; o Centro de Estudos da Natureza, onde existe um Serpentário, Borboletário, Viveiro de Plantas Medicinais e Observatório de Astronomia e Física Espacial. 

    Além disso, são oferecidos hoje 57 cursos de graduação (divididos em graduação em bacharelado, licenciatura e tecnológica), 24 cursos de lato sensu, 4 cursos de extensão, 5 de aperfeiçoamento, 6 cursos de mestrado e 3 de doutorado. 

    A UNIVAP também preza a cultura de seus alunos e funcionários, promovendo diversos concursos culturais de contos, fotografias e poesias; promovendo e incentivando a produção literária e artística e organizando também a publicação e distribuição de livros. 

    Nesse interim, se destaca o CEHVAP, criado em 2011 com o intuito de preservar a história e a memória da UNIVAP. Com a digitalização de fotografias, revistas e documentos ligados à Universidade, o CEHVAP também higieniza e cataloga todos os materiais que constam no seu acervo, realizando também entrevistas com antigos alunos e funcionários sobre a sua experiência, memória e história na Universidade.

    Referência:
    Monteiro, Amilton Maciel. Elementos históricos da Univap e de seu berço: São José dos Campos. Pró Reitoria de Cultura e Divulgação. São José dos Campos: Univap, 2002.