85ª Edição - Ano II
De 10 a 16 de maio/2010
 

  Laboratório de Física e Astronomia
Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IP&D) da Univap
Grupo de Astronomia


 
 
 
Telescópio SOAR, Chile, no início do inverno
A equipe de astrônomos do Laboratório de Física e Astronomia do IP&D Univap é formada por 10 jovens doutores em dedicação integral à pesquisa científica, ensino na graduação e pós-graduação, e extensão. Suas pesquisas concentram-se em cinco áreas da astrofísica e utilizam dados obtidos nos maiores telescópios de última geração, como os telescópios SOAR e Gemini, localizados a 2.700 m de altitude no deserto do Atacama (Chile) e no topo do vulcão Mauna Kea, a 4.200 m acima do nível do mar no Havaí. Dados são também obtidos no Observatório do Pico dos Dias (LNA/MCT), no sul de Minas Gerais.
Todos os astrônomos fazem parte do programa de Pós-Graduação em Física e Astronomia da Univap e orientam estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado.

Observatório Astronômico da Univap

A Univap está construindo, no Campus Urbanova, um observatório astronômico para atividades de divulgação científica e didáticas de apoio aos cursos de mestrado e doutorado em Astronomia. Esse observatório será composto pela área de observação (cúpula), auditório e espaço de infraestrutura, e atenderá a comunidade da Univap, escolas e público da região na apresentação de palestras e observações do céu noturno, além de práticas observacionais para os estudantes.
Já conta com um telescópio de 30 cm de diâmetro automatizado e equipado com GPS, e aguarda a avaliação pelo CNPq de um projeto de compra de outro telescópio de 35 cm e detectores profissionais, por meio do edital “Espaços Científico-Culturais”. O observatório contará, também, com diversos experimentos didáticos de física e astronomia e exposições científicas. As obras deverão ser concluídas até o final deste ano.


Atual fase de construção do
observatório astronômico da Univap
 
Montagem e testes da cúpula do
observatório da Univap



Concepção artística de um sistema estelar binário
 
Linhas de Pesquisa

Explosões estelares (Dr. Alexandre S. Oliveira)

Em sua linha de pesquisa, o Dr. Alexandre S. Oliveira utiliza dados obtidos nos telescópios SOAR, GEMINI e OPD para estudar sistemas especiais de duplas de estrelas. Nessas duplas, conhecidas como estrelas binárias, uma das estrelas componentes pode ser uma anã branca, que é uma estrela evoluída muito massiva e bastante pequena e densa (e que será, por exemplo, o destino do nosso Sol), enquanto a outra componente é uma estrela normal. A distância entre as duas componentes é suficientemente reduzida de forma que a estrela anã branca canibaliza a sua companheira, roubando matéria que, antes de ser engolida, afunila em torno da anã branca na forma de um disco de material gasoso superaquecido e muito brilhante. Enquanto vai lentamente consumindo sua vizinha (isso leva dezenas de milhões de anos), a anã branca vai aumentando sua massa e pode eventualmente ultrapassar um limite após o qual ela explode em uma das mais violentas explosões do Universo, as chamadas Supernovas de Tipo Ia. Essas explosões são frequentes e fortes o bastante para serem vistas em outras galáxias muito distantes, e foram usadas na década passada para descobrir que o Universo está se expandindo cada vez mais rápido, uma das maiores descobertas da história recente da ciência. Na Univap os estudos com estes sistemas estelares binários são realizados para entender como ocorre sua evolução, determinar quais sistemas podem explodir como Supernovas do Tipo Ia e quando isso acontecerá.


 
O Telescópio SOAR iniciando suas atividades de
observação
Colisões cósmicas (Dra. Ângela Cristina Krabbe)

As colisões de galáxias estão entre os eventos mais extraordinários e violentos que acontecem no Universo. Essas colisões têm um importante papel na evolução e história de formação estelar das galáxias. Além disso, as interações modificam significativamente a morfologia, a taxa de formação estelar, a composição química e as curvas de rotação das galáxias. Para entender os impactos das colisões nas propriedades físicas e cinemáticas nas galáxias, temos conduzido um estudo de galáxias em interação através de dados obtidos em grandes telescópios (SOAR, GEMINI, VLA, etc...), por meio de técnicas de imageamento, espectroscopia, mapeamento em rádio, e outros comprimentos de onda. As propriedades físicas são determinadas através da análise de linhas espectrais em emissão e absorção, e de métodos de síntese de população estelar.



Prof. Irapuan no interior da cúpula do Telescópio
Gemini Sul
 
Simulações numéricas de galáxias em colisão (Dr. Irapuan Rodrigues)

O grupo realiza simulações numéricas das galáxias em colisão, buscando um estudo da sua dinâmica baseado na morfologia e medidas de velocidades estelares e do gás interestelar das galáxias, obtidas observacionalmente. A partir dos melhores ajustes entre simulação e dados reais é possível inferir a idade da interação, a qual pode ser comparada com a idade das populações de estrelas, refazendo a história complexa do sistema e prevendo o seu futuro. As simulações são feitas através de técnicas de N-corpos/SPH, em que a evolução temporal dos sistemas é calculada em computadores de alto desempenho. Como consequência, o grupo também se propõe a desenvolver técnicas de computação paralela aplicada. A realização de simulações numéricas específicas e detalhadas permite a compreensão e análise dos diversos processos físicos envolvidos na descrição dos grandes sistemas estelares – desde os aglomerados estelares até as galáxias e os aglomerados de galáxias – constituindo-se, assim, em uma ferramenta essencial para o nosso entendimento do Cosmos.

A química das galáxias (Dr. Oli Luiz Dors Jr.)

O estudo da composição química em galáxias espirais é de fundamental importância para compreendermos como elas se formaram no universo primordial e como evoluem em diferentes ambientes. Assim, com o objetivo de obter um melhor entendimento destes objetos, o nosso grupo tem buscado estimar a variação da abundância de certos elementos químicos e entender como ocorre a formação de estrelas em galáxias espirais. Para isso temos utilizado telescópios de grande porte para realizar observações de galáxias espirais com anéis de formação estelar ao redor de um buraco negro central, como também de galáxias em interação. Também temos conduzido estudos teóricos de galáxias pertencentes a aglomerados como o aglomerado de galáxias de Virgo.

 
Observatório Gemini Sul, Chile
A formação de estrelas e a Via-Láctea (Dr. Cassio Leandro Dal Ri Barbosa)

O Dr. Cassio Barbosa estuda a formação de estrelas de alta massa em nossa Galáxia, a Via-Láctea. Seu objetivo é desvendar os mecanismos que permitem que uma estrela nasça com mais de 10 vezes a massa do Sol. Estrelas desta categoria seriam proibidas de nascer, pelas teorias usuais. Outra área de seu interesse é a estrutura de nossa Galáxia. Sem poder sair da Via-Láctea para poder mapeá-la, o professor Cassio Leandro participa de um esforço internacional para estabelecer qual a estrutura espiral exata, quantos braços a Galáxia possui e a localização desses braços.


Astroquímica experimental: a vida no Universo (Dr. Sérgio Pilling e Dra. Diana Paula Pilling)

A área de astroquímica experimental é um campo da ciência multidisciplinar que investiga, a partir de experimentos de laboratório, questões acerca da presença, formação e sobrevivência de moléculas em ambientes extraterrestres. Nesses ambientes a maior parte das moléculas encontra-se na fase gasosa (ex. nuvens moleculares, meio interestelar, atmosferas planetárias, etc.) embora uma boa fração também se encontre na fase condensada (ex. poeira interestelar, cometas, etc.). A interação entre a radiação ionizante (fótons, elétrons ou íons) com moléculas, em ambas as fases, disparam processos dissociativos e reações químicas cuja consequência é um aumento contínuo da complexidade química nesses ambientes. Por exemplo, a partir do processamento de moléculas simples como N2, H2O, CO, CO2, NH3, CH4 formam-se moléculas orgânicas pré-bióticas tais como a glicina (C2H5NO2) e adenina (C2H5N5), essenciais aos sistemas biológicos conhecidos.



Observação do céu na Univap Villa Branca
 
Astronomia na Cidade das Estrelas
2009 – Ano Internacional da Astronomia

O ano de 2009 foi declarado pela Unesco como o Ano Internacional da Astronomia, celebrando os 400 anos das descobertas de Galileu Galilei. O projeto “Astronomia na Cidade das Estrelas”, aprovado por edital do CNPq, foi elaborado pelos astrônomos da Univap, sob a coordenação geral do Prof. Dr. Cassio Leandro Dal Ri Barbosa. O evento estimulou a curiosidade pelo método científico, bem como pelas ciências de modo geral e conseguiu, por intermédio de várias ações, popularizar a Astronomia.
Os pesquisadores ministraram palestras, minicursos, organizaram observações do céu e exposições que atingiram um público estimado em 16 mil pessoas.
Além de benefícios financeiros concedidos pelo projeto, a Univap recebeu três telescópios automatizados de pequeno porte, três conjuntos de lentes/filtros e uma câmera CCD para aquisição digital de imagens, que se juntaram ao telescópio de médio porte que a universidade já possuía.
Além do fomento financeiro do CNPq, o projeto contou com o apoio institucional e logístico da Univap, por meio da Univap Virtual, que disponibilizou uma página eletrônica para o projeto e que obteve mais de 29 mil acessos e 300 cadastros durante o ano de 2009. As atividades de divulgação científica deverão continuar com a inauguração do Observatório Astronômico da Univap.


Saiba mais sobre os trabalhos realizados pelos atrônomos da Univap, pelo telefones: (12) 3947-1113 e 3947-1145


Fonte: Pesquisadores do Grupo de Astronomia

 
 

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