53ª Edição - Ano II
De 31 de agosto a 6 de setembro/2009
 

  Melhor Trabalho do Pibic/2009
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica/CNPq


 
 
 
A aluna Vanessa e o Prof. Maurício, coordenador
do Pibic da Univap
Foi realizada, dia 26 de agosto, no Auditório do Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IP&D) da Univap, a avaliação dos trabalhos apresentados ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica/CNPq.
Fizeram parte da Comissão de Avaliação Externa: o Prof. Dr. Odim Mendes (Inpe), Profª Drª Yasmin Rodarte Carvalho (Unesp – São José dos Campos) e Prof. Dr. José Carlos Beceneri (Inpe).
O melhor trabalho apresentado e escolhido pela comissão é de autoria da aluna Vanessa Messias Dias, do curso de Engenharia de Alimentos da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo (FEAU). A pesquisa que ela realizou intitula-se: Caracterização Ótica de Bixina Extraída de Sementes de Urucum e de Colorífico Comercial, sob a orientação da ex-professora da Univap, Profª Drª Viviane Pilla.
O trabalho faz uma análise da definição do processo de extração da bixina, do fruto "in natura" e o entendimento dos processos ópticos envolvidos para, posteriormente, utilizar esses resultados como parâmetros de análise de controle de qualidade em coloríficos industrializados.

“Um novo hábito alimentar vem crescendo recentemente devido à conscientização da população mundial que, cada vez mais, percebe a importância da ingestão de alimentos naturais. O corante é um dos aditivos mais utilizados na indústria, quer seja na área alimentícia ou nos seguimentos têxteis, de estética ou de farmácia, com o propósito de intensificar, compensar ou agregar cor ao produto durante os diversos processos de fabricação até a chegada ao consumidor, mantendo-o atrativo, agradável e próximo ao produto natural. Nesse aspecto os corantes naturais começam a receber um crescente e renovado interesse, como substâncias que conferem ou intensificam a cor dos alimentos (ANVISA, 1965), sem prejudicar a saúde dos consumidores.
Cada vez mais são aplicadas matérias-primas como cúrcuma, páprica, carmim, entre outros, porém, o mais utilizado em todos os segmentos industriais é o urucum, que historicamente tem seu nome de origem tupi-guarani “uru-ku“, que significa “vermelho“. A intensidade da coloração vermelha indica a concentração da bixina, que é lipossolúvel. Assim, quanto mais próximo ao amarelo, será a predominância da norbixina, também muito comercializada para produtos hidrossolúveis.
Mesmo havendo vários processos para obtenção do extrato desse pigmento, o método tradicional consiste na enérgica agitação das sementes em água fria para separação e, após a decantação, seca-se a pasta, que estará pronta para ser comercializada 'in natura' ou misturada a outros ingredientes. A Resolução CNNPA 12/78 do Ministério da Saúde define que o produto constituído de fubá misturado com urucum em pó ou extrato oleoso de urucum, adicionando ou não sal e óleos comestíveis, recebe em seu rótulo o nome comercial de colorífico.
Com base nas informações sobre a matéria-prima e o produto comercial, neste trabalho, realizamos um estudo de caracterização óptica linear na região do visível, utilizando as técnicas de absorção e fluorescência em soluções de bixina extraída da semente do urucum com diferentes concentrações, com o objetivo de definir o processo de extração da bixina do fruto "in natura" e o entendimento dos processos ópticos envolvidos, para, posteriormente, utilizar esses resultados como parâmetros de análise de controle de qualidade em coloríficos industrializados.
Este estudo foi apresentado em função da concentração do corante natural. Em complementação analisamos uma amostra de colorífico industrial e observamos o deslocamento do comprimento de onda de emissão média com relação aos espectros de corante extraídos do urucum. Um estudo sistemático de caracterização óptica foi realizado em cinco lotes de seis marcas de coloríficos industrializados encontradas comercialmente nas regiões de São José dos Campos e Jacareí. Uma vez comparadas as seis marcas, foi escolhida a que teve maior diferenciação em seu espectro de emissão, para que fosse aplicada a metodologia de variação de concentração nas amostras obtidas da extração da bixina e dos coloríficos comerciais. Modificações obtidas nos espectros de fluorescências desses materiais podem ser um indicativo de possíveis aditivos e/ou diferenças na forma de fabricação desses coloríficos comerciais ou mesmo a exposição destes a fonte de luz.
Por fim, fez-se a caracterização das soluções de bixina em diferentes solventes como acetona, álcool metílico, álcool etílico, clorofórmio, tolueno, identificando o melhor extrator de sementes e o maior rendimento de massa (bixina e norbixina).”

Para a comissão, o nível de apresentação e qualidade dos trabalhos foi muito boa, o que dificultou ainda mais a seleção da melhor pesquisa.
Para o coordenador do Programa na Univap, Prof. Dr. Maurício José Alves Bolzan, a realização de um Programa de Bolsa deste porte não poderia ser realizada sem o apoio da secretaria geral do IP&D. Por outro lado, a efetiva participação dos orientadores e empenho dos alunos participantes, tornou possível realizar trabalhos de alto nível como os que foram apresentados este ano. Além disso, é fundamental que os alunos cumpram todos os requisitos exigidos no edital, que envolvem o envio de resumo e o preenchimento de relatórios dentro do prazo legal.
 
 

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