O curso de Especialização em Cultura Popular Brasileira, que teve início em março deste ano, tem realizado atividades em São José dos Campos e municípios vizinhos. Os trabalhos consistem, além das aulas teóricas, na realização de pesquisas de campo que buscam, sempre de forma crítica, explorar espaços, desvendar mistérios e conhecer histórias, seja por intermédio do folclore ou da cultura popular de moradores da cidade e da região.
Dentro do módulo: Religiosidade Popular e Manifestações Cíclicas, ministrado pelo Prof. MSc. André Luiz da Silva, os alunos receberam, no último dia 22 de agosto, a visita do agricultor e contador de causos e histórias, Ditão Virgílio, 54, natural de São Luiz do Paraitinga. Juntos realizaram uma visita ao Cemitério Municipal Padre Rodolfo Komorek, na região central de São José dos Campos.
O objetivo da visita foi coletar informações sobre as práticas religiosas populares que ocorrem no interior do cemitério. De acordo com o Prof. André, a idéia era chamar a atenção dos alunos para a presença, num local específico, da diversidade religiosa e cultural que preenche a vida cotidiana. Além disso, os alunos na ocasião puderam perceber que no cemitério há uma convivência e uma circularidade de símbolos e significados de diferentes religiosidades e de diversas práticas mágicas tradicionais e modernas, que ajudam a materializar na prática os conceitos e discussões realizadas nas aulas teóricas.
Os textos estudados, diz ele, demonstram que pelo fato de se remeter a um momento liminar e significativo na vida dos seres humanos, o cemitério se constitui um local privilegiado de observação de práticas discursivas e simbólicas, nas quais um olhar perspicaz pode desvendar os estilos de vida e os valores morais presentes na sociedade dos vivos.
O mestre de cultura popular, Ditão Virgílio, por ocasião de sua visita ao curso, contou causos regionais sobre assombrações, como por exemplo, o do corpo seco, muito difundido na região e que revela a visão moral da religiosidade popular.
Ditão é autor do cordel
O Saci e o Eucalipto, que descreve a luta contra o deserto verde, em especial o plantio indiscriminado de eucalipto em São Luiz do Paraitinga. O eucalipto retira a água do solo e expulsa os pequenos sitiantes da zona rural.
Atualmente é trabalhador rural e morador de São Luiz, uma estância turística e cidade histórica do Vale do Paraíba, onde foi criado o Dia do Saci, celebrado dia 31 de outubro, para se contrapor ao "Halloween". Ele também é sócio fundador da SOSACI, Sociedade dos Observadores do Saci, uma ONC (Organização Não Capitalista) que anualmente organiza a Festa do Saci naquele município.
Para o docente da Univap, convidar pessoas como o Ditão Virgílio para conhecer o curso e realizar palestras aos alunos é de extrema importância porque coloca os futuros especialistas em contato com os verdadeiros mestres da área, que, apesar de muitas vezes não possuírem diploma universitário, são portadores de um rico acervo de conhecimentos e visões de mundo.
O curso de Especialização em Cultura Popular Brasileira, sob a coordenação da Profª MSc. Zuleika Stefânia Sabino Roque, é direcionado para profissionais com formação superior que atuam nos sistemas de Educação, Saúde, Comunicação e áreas afins.
Com a duração de 392 horas/aula, de acordo com as diretrizes do Ministério da Educação (MEC), as aulas são ministradas em módulos e realizadas no prédio da Pós-Graduação Lato Sensu Campus Urbanova, em São José dos Campos, aos sábados, das 9h às 12h30 e das 13h30 às 17h.
Matrículas Abertas!
Informações sobre o curso e outras especializações oferecidas pela Univap poderão ser averiguadas no site: www.posgrau.univap.br
ou pelos telefones: (12) 3947-1233 ou 3949-2292 |