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A criação de novos sistemas por alunos do curso de graduação em Engenharia Biomédica sob a supervisão de pesquisadores da Univap podem ser grandes aliados na área da reabilitação de pacientes com dificuldades motoras e em atendimento gratuito no Centro de Práticas Supervisionadas (CPS) da Faculdade de Ciências da Saúde (FCS).
Já foram desenvolvidos quatro sistemas: o Treino de Marcha; Sistema Cicloergométrico para Reabilitação Motora; Estimulador Elétrico Aplicado ao Andador e a Plataforma Vibratória.
Dois desses equipamentos, o Treino de Marcha e o Sistema Cicloergométrico para Reabilitação Motora, já estão sendo utilizados em pacientes que apresentaram melhorias significativas, porque esses sistemas trabalham os movimentos articulares e musculares de pernas e braços.
A maioria das vezes os pacientes em tratamento na área da saúde da Universidade, são encaminhados pela rede de saúde pública e apresentam lesões provocadas por acidentes vasculares encefálicos, paralisia cerebral, traumatismo medular ou cerebral, que resultam em pacientes tetraplégicos (paralisia do pescoço para baixo), ou paraplégicos (paralisia da cintura para baixo).
A reabilitação de pacientes em tratamento na área da fisioterapia é uma realidade e os novos sistemas foram desenvolvidos a fim de apressar resultados e confortar pacientes portadores de necessidades especiais, especificamente de deficientes físicos.
O treino de marcha é um equipamento já existente no mercado internacional, porém de alto custo. Sua importação é inviável, por isso, alunos do curso de graduação em Engenharia Biomédica desenvolveram um projeto de equipamento semelhante, utilizando matéria prima nacional e de baixo custo.
O equipamento proposto pelos alunos e pesquisadores da Universidade possui o diferencial de um motor que é controlado por controle remoto e que facilita o processo de reabilitação do paciente e o trabalho do profissional.
O treino consiste no ato de caminhar do paciente, normalmente apoiado em barras laterais e sustentado em parte de seu peso corporal por cordas e/ou cabos.
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O Sistema de Treino de Marcha |
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Já o Sistema Cicloergométrico para Reabilitação Motora é um projeto de pesquisa que estuda a viabilidade técnica e econômica de uma espécie de bicicleta acoplada à cadeira de rodas do deficiente físico. O sistema proposto, inicialmente foi construído baseando-se na estrutura mecânica de bicicletas comuns, sendo diferenciado pela instalação de um maquinário ligado diretamente à cadeira de rodas do paciente, bem como o diferencial da estrutura para que facilite a realização de exercícios e movimentos musculares (braços e pernas).
A Revista Saúde de 2008 indica que há no mundo, atualmente, aproximadamente 500 milhões de pessoas deficientes. Dados do Censo do ano 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, no Brasil, 24,6 milhões de pessoas, ou seja, 14,5% da população têm algum tipo de deficiência ou incapacidade. Desse total, 9,3 milhões (27%) têm deficiência física ou motora. Mais de 57,6 mil pessoas (0,8%) têm tetraplegia (paralisia do pescoço para baixo), paraplegia (paralisia da cintura para baixo), hemiplegia (um dos lados é paralisado) ou é amputado.
No Estado de São Paulo o número estimado de pessoas com necessidades especiais é de 3,5 milhões de pessoas, sendo que 1/5, cerca de 700 mil, são deficientes físicos. O atendimento às pessoas com algum tipo de deficiência física vem registrando melhora significativa a cada ano, principalmente no Brasil. A rede de reabilitação física nacional cresceu 41%, de 2002 a 2008. Nesse mesmo período, cresceu também o número de estabelecimentos que prestam serviços de reabilitação física no país.
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Sistema Cicloergométrico para Reabilitação Motora |
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A evolução na Engenharia Biomédica nesta área vem exigindo dispositivos que atendam às carências dos pacientes acometidos por deficiências físicas. Somente nas últimas décadas, os esportes e as atividades físicas (movimentos) têm sido mais utilizados como medida complementar no tratamento dos pacientes em geral, mas em especial dos portadores de necessidades especiais (deficiência física).
O limite de movimentos do paciente é variável e é ajustado à capacidade de cada indivíduo. Há pessoas que utilizam a totalidade dos movimentos, outras, apenas parcialmente. É por intermédio do treinamento físico que o indivíduo adquire ou readquire a destreza motora.
O primeiro passo do projeto consistiu no desenvolvimento da bicicleta cicloergométrica, baseando-se na concepção de uma bicicleta comum, sendo algumas partes como câmbio, engrenagens, corrente, entre outras mais, estruturadas para serem instaladas diretamente na cadeira de rodas do usuário. Esta concepção se sustentará principalmente pela simplicidade de construção, que otimiza pelo pequeno número de material comparado aos modelos existentes, além de manutenção e custos reduzidos, já que a matéria-prima para esta fase de desenvolvimento é apoiada pela diversidade e baixo custo dos materiais de bicicletas comerciais.
O sistema desenvolvido utiliza-se de técnicas mecanoterápicas que, por meio de movimentos nos membros superiores e/ou inferiores acometidos por atrofias e limitações de movimento, proporcionam ao paciente condicionamento físico mais próximo de uma vida saudável e até mesmo reabilitação da estrutura corporal debilitada por sua deficiência motora.
São responsáveis pelos desenvolvimentos dos projetos na Univap, os pesquisadores doutores, Airton Abrahão Martin e Mário Oliveira Lima.
Participam nos desenvolvimentos dos sistemas: a empresa Probes - Desenvolvimento de projetos de tecnologia em Biomedicina e Engenharias - e os alunos do curso de graduação em Engenharia Biomédica da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo: (Treino de Marcha) - Aline Horxutz Moreira, Josué Dias, Matheus Henrique Vieira e Sabrina Barbosa Pinto e (Sistema Cicloergométrico para Reabilitação Motora) - Henrique Cunha Carvalho, José Leonardo Canossa da Silveira e Allan Friedrich da Silva Hempfling.
As duas pesquisas possuem alto potencial na reabilitação de pacientes e boas condições para comercialização. As vantagens da produção dos sistemas é a redução do custo e ao mesmo tempo a praticidade da realização de exercícios, seja pelo paciente ou ao profissional que acompanhará o desenvolvimento deles.
Opinião dos alunos do curso de Engenharia Biomédica
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Os alunos José Leonardo e Allan integrantes do projeto
que desenvolveu o Sistema Cicloergométrico para
Reabilitação Motora |
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Para os alunos Allan (21 anos) e José Leonardo (24 anos) que trabalharam no desenvolvimento do Sistema Cicloergométrico para Reabilitação Motora, o resultado é promissor. “O curso de Engenharia Biomédica agrega duas importantes áreas: a Engenharia e a Medicina, e ambas trabalham com a precisão. É para nós uma grande satisfação e até mesmo uma recompensa muito grande perceber que podemos ajudar essas pessoas que são carentes não só pela deficiência, mas de atenção, também”.
“A área da Engenharia Biomédica por ser nova tem grande demanda no mercado, a aceitação é excelente e a credibilidade da Universidade impecável. Sairemos daqui com várias ideias daquilo que pode ser feito e que venha a beneficiar pessoas e no futuro, criar uma empresa que desenvolva equipamentos na área de reabilitação”.
Pesquisador fala da reabilitação
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O Prof. Dr. Mário Oliveira Lima e os sistemas
desenvolvidos na Universidade |
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Para o Prof. Dr. Mário Oliveira Lima, antigamente na área da fisioterapia não havia estudos aprofundados sobre a real reabilitação de pacientes. Hoje, tendo em vista as técnicas de imagens e aparelhos de reabilitação, há possibilidade de quantificar a plasticidade tanto cerebral quanto músculo esquelética, fazendo prognósticos e determinando o tratamento a ser adotado.
“Os sistemas que estamos trabalhando são efetivamente eficazes e temos produzido estudos e relatórios sobre a reabilitação de cada paciente em tratamento. Acreditamos, tendo em vista os resultados, que após a fabricação em série dos sistemas, se cada clínica adquirisse os sistemas que desenvolvemos aqui, a recuperação de pacientes com esses tipos de lesões seria bem mais rápida”.
Depoimento de um pai esperançoso
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O Prof. Mário, o paciente Rogério e seu pai, Sr. Arlindo |
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“Quando meu filho Rogério chegou aqui na Universidade ele não falava. A sua parte direita do corpo estava imobilizada. Alimentava-se por sonda. Havia feridas nas costas por permanecer muito tempo na cama. A respiração era dificultosa. Interessante é que os médicos diziam que seria muito difícil ele voltar a caminhar. Eu também comecei a achar isso, mas ainda tinha esperança. Foi o Prof. Mário o maior incentivador na recuperação do Rogério. Ele dizia: - vou fazer seu filho a voltar a andar ... e fez! Quando eu vejo meu filho em pé, me encho de emoção. Nós não tínhamos assistência médica quando ele sofreu o acidente de motocicleta. O caso era gravíssimo. Hoje eu falo pra todo mundo que foi a Univap, e em especial o Prof, Mário, que recuperou o meu filho. Cuidaram da respiração dele; das feridas das costas; deram orientações quanto à alimentação e principalmente, da reabilitação física dele. Todos os dias, assim que me levanto, rezo e não esqueço de citar o nome do Dr. Mário em minhas orações, porque foi ele quem salvou o meu filho. Agradeço à equipe de atendimento da Univap que se empenhou em dar de volta à vida de meu filho e de nossa família, também”, disse Sr. Arlindo Rodrigues.
Quem é Rogério
Rogério Aparecido Rodrigues, 30 anos, formado em Educação Física, pela Univap, sofreu um traumatismo craniano, após sofrer um acidente de motocicleta, em abril de 2009. Encontra-se em tratamento no Centro de Práticas Supervisionadas da Faculdade de Ciências da Saúde da Univap, desde maio de 2009, sob orientações do Prof. Dr. Mário Oliveira Lima.
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Jorge Aparecido Rodrigues Cardoso, 36 anos |
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O paciente JorgeJorge Aparecido Rodrigues Cardoso, 36 anos, também está sob os cuidados do Prof. Mário. Ele foi acometido por uma Meningocefalite (Meningite) quando tinha 24 anos e perdeu os movimentos das pernas.
Em tratamento na Univap desde 2005, ele disse que após ter começado a fazer os exercícios no Treino de Marcha, melhorou muito e hoje faz atividades, que antes não conseguia fazer. “Estou mais independente e consigo até dirigir meu carro”.
A Faculdade de Ciências da Saúde
Excelência no Cuidar
Oferece os cursos de Biomedicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional. As atividades didáticas são desenvolvidas por corpo docente altamente qualificado, composto em sua maioria por doutores e mestres, em laboratórios gerais e específicos com equipamentos de alta tecnologia. Mantém parcerias com inúmeras instituições privadas e públicas para o desenvolvimento de estágios curriculares ou extracurriculares.
A FCS incentiva a Pesquisa, através do Programa de Iniciação Científica, e a Extensão, através de cursos de especialização em diversas áreas, respeitando as diversidades nos campos de atuação dos diferentes profissionais de saúde.
O atendimento realizado no Centro de Práticas Supervisionadas (CPS) é multidisciplinar, envolvendo as áreas de Nutrição, Enfermagem, Terapia Ocupacional e Fisioterapia.
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Fonte: Projetos desenvolvidos pelo curso de Engenharia Biomédica (Feau), Fisioterapia (FCS) e a Empresa Probes |
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