As explosões de raios-gama (GRBs), associadas ao fim de estrelas de massa muito grande (hipernova), sempre intrigaram os astrofísicos. Estes fenômenos altamente energéticos podem ser observados a distâncias muito grandes. Alguns foram detectados a cerca de 13 bilhões de anos-luz, praticamente quando o Universo estava em seu início.
Entretanto, as GRBs muito distantes distinguiam-se em dois grupos: aquelas que a explosão detectada em raios-gama era seguida de uma intensificação de brilho visual e outras para as quais apenas os raios-gama eram detectados. Grosso modo, as GRBs eram divididas em “visíveis” e “não-visíveis ou escuras”.
Uma equipe de astrofísicos da Universidade de Berkeley, Califórnia, resolveu estudar a fundo estas GRBs “escuras”. A hipótese inicial era que as GRBs escuras ocorriam em galáxias distantes onde o meio interestelar continha muita poeira. A poeira interestelar não é capaz de barra os raios-gama, mas absorve quase toda a luz visível. Porém, ao fazer isso, a poeira aquece, tornando-se luminosa no infravermelho.
Eles analisaram 14 GRBs “escuras” utilizando o telescópio Keck (Hawaii), um dos maiores do mundo, com 10 metros de diâmetro, na região do infravermelho. A descoberta é que pelo menos 80% delas ocorreram em galáxias pouco brilhantes, mas não muito distantes, e que dificilmente seriam detectadas com telescópios menores na faixa do visível. Isto indica que GRBs “escuras” são completamente similares às “visíveis”.

Concepção artística de uma GRB ocorrendo em uma região de formação de estrelas de grande massa. A GRB é a estrutura próxima ao centro, na forma de dois jatos luminosos. Modelos e simulações indicam que GRBs são explosões extremamente direcionais, onde a energia e a matéria são expelidas na direção dos pólos da estrela. Crédito: Aurore Simonnet/Sonoma State University, NASA Education & Public Outreach.
O grupo testou também sua hipótese de galáxias com meio interestelar contendo muita poeira. Ela se mostrou falsa. Isto indica que o que está barrando a luz visível das GRBs não é o meio interestelar ordinário das galáxias onde elas ocorrem, mas a região específica onde a GRB acontece. Estrelas de grande massa formam-se em nuvens moleculares gigantes. Elas vivem tão pouco, que antes que possam sair destas nuvens, explodem em hipernovas. Desta forma, a luz visível não consegue escapar da região de formação de estrelas, mas apenas os raios-gama.
As GRBs são importantes, pois sendo o fenômeno mais energético e luminoso conhecido, podem ser utilizadas para mapear as estruturas mais distantes e antigas do Universo, bem como a taxa de formação de estrelas.
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