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Bactérias em vôo espacial surpreendem cientistas da NASA

Muitos desafios tecnológicos foram superados para que a humanidade pudesse efetuar vôos espaciais. Mas outros aspectos menos lembrados tornaram-se mais e mais evidentes, na medida que as missões espaciais ficaram mais longas. Um deles diz respeito à assepsia do ambiente espacial em sensação de gravidade nula.

A NASA (Agência Espacial Norte-Americana) tem analisado o problema a fundo. No início deste mês (maio de 2009), a equipe do Dr. Cheryl Nickerson (Arizona State University) anunciou seus resultados de experimentos biológicos que subiram a bordo das missões do ônibus espacial em Setembro de 2006 e Março de 2008. Foram analisadas colônias de bactérias Salmonela, conhecida aqui na Terra por causar profundo mal estar gástrico. A Salmonela resiste ao suco gástrico humano e normalmente infecta as pessoas através de alimentos sólidos ou líquidos contaminados.


Uma colônia de Salmonela, ampliada cerca de 200 vezes, ao microscópio.
Crédito: Pacific Northwest National Laboratory



Os resultados obtidos pela equipe do Dr. Nickerson indicam que em ambiente de gravidade nula, a colônia de Salmonela tem um crescimento de 3 a 7 vezes mais rápido do que ocorre aqui na Terra. Isto indica que uma eventual contaminação para astronautas pode se tornar potencialmente mais perigosa. A Salmonela pode matar por desidratação se não for devidamente tratada.

A equipe do Dr. Nickerson também foi capaz de identificar a razão para a alta taxa de crescimento das colônias de Salmonela no espaço. Segundo eles, a Salmonela tende a fixar-se na parede dos intestinos quando invade um corpo humano. Ela utiliza seus bio-sensores para identificar a quantidade de passagem de fluído e determinar onde está a enrugada parede do intestino (região de fluído de baixa velocidade). Uma vez fixada, reproduz-se intensamente, preparando-se para infectar a corrente sangüínea. Ao ir para um ambiente de gravidade nula, a Salmonela fica perdida, pois seus bio-sensores indicam falsamente sempre um fluxo de fluído de baixa velocidade em seu entorno. Isto faz com que ela reproduza-se mais rapidamente. A pesquisa também indicou que este comportamento é efetuado por 167 genes do código da Salmonela, com a proteína Hfq tendo papel chave na ativação destes genes.

A pesquisa resultará não só em novas medidas para a assepsia de ambientes espaciais, mas também no desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas para combater a ação da própria Salmonela aqui na Terra.