Os próximos dois meses contam com algumas chuvas de meteoros. Vale lembrar que o termo “chuva de meteoros” é muitas vezes mal interpretado pelas pessoas leigas em Astronomia, que esperam ver um fenômeno sem precedentes. Vale a pena lembrar que meteoro, ou popularmente chamado de “estrela cadente”, é todo e qualquer objeto que penetra na atmosfera terrestre em alta velocidade, provocando a sua queima e destruição. O brilho que enxergamos é decorrente do atrito entre o objeto e a atmosfera terrestre, elevando a temperatura do objeto a milhares de graus. Como o objeto tende a cair pela força da gravidade, em alta velocidade, provoca um rastro luminoso. Meteoros são pequenos grãos de poeira decorrentes de alguns processos que ocorrem no Sistema Solar: colisão de asteróides, evaporação de cometas ao passar próximo ao Sol, resquícios da formação do Sistema Solar, dentre outros. O chamado lixo espacial (restos de satélites, foguetes e da exploração humana do espaço) também cai na Terra, provocando falsos meteoros.
Um meteoro é um fenômeno rápido, com duração em torno de 1 segundo. Alguns são maiores e podem durar vários segundos. Mas o que vem a ser uma “chuva de meteoros”? Quando um cometa passa próximo ao Sol, seu gelo sublima (passa do estado sólido para gasoso), provocando o desgaste da superfície. Neste processo, o gás é expelido junto com grãos de poeira que também compõem o cometa. Estes grãos ficam dispersos ao longo da órbita do cometa, formando verdadeiras esteiras de poeira. Quando a Terra atravessa uma destas esteiras, milhares de grãos de poeira são atraídos pelo campo gravitacional de nosso planeta e penetram simultaneamente em nossa atmosfera. Para quem olha da superfície da Terra, somente os mais brilhantes são visíveis. Pode-se ver, no instante do encontro, até algumas dezenas de meteoros por hora. Eles parecem advir do mesmo ponto do céu (o chamado radiante, que nada mais é que a projeção do ponto de encontro da órbita da Terra com a órbita do cometa).
Para enxergar uma “chuva de meteoros” é preciso, antes de mais nada, estar em um local escuro, longe da poluição luminosa das cidades. A melhor maneira de apreciar é deitar-se, de modo a ver a maior porção de céu possível (uma cadeira de praia é o ideal). Não são necessários quaisquer equipamentos (binóculos, telescópios, etc). Depois, é preciso paciência. Não espere observar 10 minutos e ver dezenas de meteoros. Ocasiões assim são muito raras. Normalmente, após 1 hora de observação, serão contabilizados de 3 a 10 meteoros. Procure observar as chuvas próximo do ponto máximo, ou seja, no exato instante em que a Terra atravessa a esteira deixada por algum cometa ou asteróide.

Esta imagem mostra a chuva de meteoros dos Leônidas, que ocorre em Novembro. Ela foi feita com uma lente grande angular (olho de peixe), que permite expor todo o céu. Trata-se de uma foto de longa exposição (cerca de 10 minutos), feita durante o pico de atividade da chuva. Os meteoros (aparecem mais de 40) são os traços compridos na foto, que parecem emanar de um mesmo ponto do céu (o radiante), na constelação de Leão. É importante notar que estes meteoros registrados na foto NÃO ocorreram ao mesmo tempo. Crédito: Juraj Toth (Modra Observatory).
Nos meses de Abril e Maio, teremos 3 chuvas:
• Liridas – têm o radiante na constelação de Lira. O melhor dia e hora para vê-los é na madrugada do dia 22 de Abril (entre 3 e 6 horas da madrugada). Espera-se cerca de 9 meteoros por hora.
• Eta-Pupidas – têm o radiante próximo à estrela eta da constelação de Pupis. Melhores dias serão 22 e 23 de Abril, das 19 às 24h. Espera-se 12 meteoros por hora.
• Eta-Aquaridas – uma das mais ricas chuvas vistas do hemisfério sul, esta chuva está associada ao Cometa Halley. Têm o radiante próximo à estrela eta da constelação de Aquário. Os melhores dias para vê-la serão entre 03 e 09 de Maio, com pico provável em 06 de Maio; sempre das 03 às 06 horas da madrugada.
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